Há pessoas que são privilegiadas. Outras há que por mais que tentem não conseguem mudar a realidade.
Ainda há pouco atendi o telefonema de uma senhora, nos seus 40 e poucos anos, desempregada, a perguntar se precisávamos de alguém pois estava desempregada. Bem falante, com anos e anos de experiência, dispensada porque a empresa necessitou reduzir pessoal. Fiquei com o coração nas mãos. Notava-se pelo discurso que é uma pessoa activa, triste por estar parada.
Eu por um lado sinto-me uma privilegiada porque tenho um emprego. Sei que em determinado dia do mês cai certinho na conta e é um alívio. Há meses em que é espremido até ao tutano. Há meses em que quase passámos o vermelho. Já disse muitas vezes que adorava enveredar por outra área de trabalho, ligada à criação de eventos, onde pudesse lidar com o público directamente... O criar! A comunicação é a minha área. Mas pura e simplesmente não posso dizer, Desisto. Adeus! Vou tentar a minha sorte. Só se quiser que o banco me tire a casa, o carro. Só se quiser passar de trabalhadora a utente.
Por isso, há privilégios que nem todos podemos ter. O truque está em fazer desta realidade o nosso milagre, o nosso privilégio. E sonhar. Também é bom!